Recentemente, o Conselho Federal de Medicina por meio de sua Resolução nº 2.333/23, fez restrições às indicações terapêuticas do uso de esteróides, testosterona e outros androgênicos (naturais ou sintéticos), vetando as prescrições médicas que tivessem finalidade estética, para ganho de massa muscular e/ou melhora do desempenho esportivo, seja para atletas amadores ou profissionais, por inexistência de comprovação científica suficiente que sustente seu benefício e a segurança do pacientes. Mas afinal, para quais situações são indicadas tais substâncias?
Os hormônios esteróides anabólicos androgênicos são substâncias químicas sintetizadas endogenamente pelos testículos, ovários e glândulas adrenais, sendo responsáveis por conferir e desenvolver características sexuais e fisiológicas do sexo masculino. São hormônios anabólicos, ou seja, estimulam a formação de proteínas e outros componentes orgânicos. A testosterona figura entre o mais conhecido da classe, mas existem outros, como a dihidrotestosterona, desidroepiandrosterona e androstenediona. Por serem responsáveis por gerar as características masculinas, estão presentes em quantidades bem superiores nos homens, e em baixas quantidades nas mulheres, mas existem em ambos os sexos pois possuem diversas funções fisiológicas importantes, como:
– Desenvolvimento das características sexuais masculinas;
– Crescimento de massa muscular, devido sua função anabólica;
– Manutenção da densidade e força dos ossos;
– Produção de espermatozóides
– Regulação de humor e bem estar;
– Regulação da hematopoiese;
– Aumento do metabolismo, haja visto que o anabolismo requer maior demanda energética;
A carência ou deficiência na produção de testosterona pode impactar diretamente em uma ou diversas das suas funções, ocasionando desequilíbrios e desencadeando quadros patológicos. Essa redução nos níveis hormonais pode ocorrer devido a idade (naturalmente a produção de testosterona diminui com o passar dos anos), disfunções endócrinas, ou até mesmo de acordo com o estilo de vida (obesidade, tabagismo, sedentarismo, estresse, sono insuficiente). Nesses casos, onde é caracterizado um hipogonadismo masculino, é indicada a Terapia de Reposição Hormonal com androgênicos (TRH).
Sendo assim, segundo o CFM, a prescrição de esteroides androgênicos anabólicos é justificada no tratamento de doenças como hipogonadismo, puberdade tardia, micropênis neonatal e caquexia, na terapia hormonal cruzada em transgêneros e, a curto prazo, em mulheres com diagnóstico de Desejo Sexual Hipoativo. Segundo as diretrizes da Associação Européia de Urologia, também é indicado TRH no tratamento de disfunção erétil e infertilidade masculina, quando decorrentes da baixa concentração livre de testosterona.
SUPORTE BIBLIOGRÁFICO
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