A pele é o maior órgão do corpo humano, e sua camada mais profunda é composta por proteínas estruturais essenciais, como o colágeno e a elastina. O colágeno, que constitui aproximadamente 80% da estrutura da pele, confere resistência e firmeza, enquanto a elastina é responsável pela elasticidade, permitindo que a pele retorne à sua forma original após ser esticada.
Durante o ganho de peso, a pele se adapta expandindo-se para acomodar o aumento do volume corporal, porém quando a pele é submetida a uma expansão significativa e prolongada, como em casos de indivíduos obesos, as fibras de colágeno e elastina podem ser danificadas. Ademais, processos inflamatórios que acompanham a obesidade aceleram a degradação dos componentes da matriz extracelular, comprometendo a integridade da pele. Todos esses fatores, em conjunto, limitam a capacidade da pele de se retrair adequadamente após a perda de peso.
Com os recentes avanços do tratamento da obesidade, particularmente com o uso de agonistas GLP-1 e duoagonistas GLP-1/GIP, a perda de peso significativa e rápida tornou-se cada vez mais acessível. No entanto, em casos de perda substancial de peso, o excesso de pele pode permanecer pendente ao corpo, devido à incapacidade das fibras de colágeno e elastina de recuperarem integralmente sua elasticidade.
Indivíduos que perdem uma grande quantidade de peso em um curto período de tempo apresentam uma produção reduzida de colágeno novo. Além disso, esse colágeno é de qualidade inferior àquele encontrado em uma pele jovem e saudável, o que agrava ainda mais a flacidez pós-emagrecimento.
O excesso de pele não é apenas um problema estético, ele pode causar complicações, como erupções cutâneas recorrentes, infecções e desconforto pelo atrito. Além disso, impacta negativamente a autoestima e o bem estar emocional dos pacientes. Assim, é fundamental planejar a jornada de perda de peso de maneira a preservar a produção de colágeno endógeno, o que contribui para a manutenção da pele.
Neste sentido, a suplementação de certos micronutrientes pode auxiliar na síntese de colágeno e elastina, para garantir a saúde da pele durante o uso de medicamentos para emagrecer. Os seguintes nutrientes são particularmente importantes:
Ácido Ascórbico (Vitamina C): essencial para diversos processos fisiológicos, atua como um potente antioxidante e participa ativamente da síntese e maturação do colágeno.
Ácido Hialurônico: responsável pelo volume, sustentação, hidratação e elasticidade da pele, também estimula a atividade e a proliferação de fibroblastos aumentando a síntese de colágeno e elastina.
Condroitina: o sulfato de condroitina se liga a proteínas da matriz extracelular, formando o proteoglicano versican, que influencia a elastogênese, a composição da matriz extracelular, e a adesão e proliferação celulares. Além disso, auxilia na síntese de colágeno e elastina ao se ligar ao ácido hialurônico durante o processo de remodelação da matriz extracelular.
L-Lisina: fundamental para a biossíntese do colágeno, participando das modificações pós-traducionais, como a hidroxilação da prolina e lisina, que gera hidroxilisina e hidroxiprolina, essenciais para a estrutura e função biológica do colágeno.
Pantenol: possui a propriedade de se ligar às moléculas de água, sendo assim um ótimo umectante. Além disso, possui propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias e é capaz de promover reparo e regeneração celulares. Em fibroblastos humanos, o pantenol atua no aumento da proliferação, migração celular e síntese de colágeno.
Não hesite em consultar um profissional de saúde para orientações personalizadas sobre como integrar esses micronutrientes à sua rotina. Cuide do seu corpo e da sua autoestima!
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